O que é o liberalismo?

O liberalismo é um sistema político-econômico baseado na defesa da liberdade individual, nos campos econômico, político, religioso e intelectual, contra as ingerências e atitudes coercitivas do poder estatal.

Apesar de diversas culturas e épocas apresentarem indícios das ideias liberais, o liberalismo definitivamente ganhou expressão moderna com os escritos de John Locke (1632 – 1704) e Adam Smith (1723-1790).

John Locke

Seus principais conceitos incluem individualismo metodológico e jurídico, liberdade de pensamento, liberdade religiosa, direitos fundamentais, estado de direito, governo limitado, ordem espontânea, propriedade privada e livre mercado.

O liberalismo apresenta essencialmente dois aspectos: a crença na existência de uma lei natural que regula os fatos econômicos e a convicção de que os melhores resultados serão obtidos na medida em que se evite interferir em tais leis.

Adam Smith

A essência da doutrina liberal é de que os melhores resultados, em termos de felicidade humana são obtidos por meio da política de “braços cruzados”. O estudo das leis econômicas tinha como objetivo básico seu perfeito conhecimento a fim de evitar que o estado interferisse inadvertidamente no seu funcionamento. O conhecimento de que o preço é determinado pela lei da oferta e da procura evita que o estado tente impedir o aumento de preços por meio do tabelamento. Para os liberais, o próprio aumento de preços, resultante da escassez de alimentos, provocará reação corretora, ou seja, aumento da produção no período seguinte.

Em termos econômicos o liberalismo nasceu das concepções da escola fisiocrática francesa e da escola clássica inglesa em meados do século XVIII.

Nessa época predominava o pensamento mercantilista fortemente intervencionista que ignorava a existência de leis econômicas e procurava obter resultados por meio de ação direta do governo.

François Quesnay

Para o fisiocratas (François Quesnay, 1694-1774) existe uma lei natural que rege as sociedades. A tarefa do estado é encontrar essa lei e promulgá-la. A ordem natural exigia a propriedade individual, a liberdade de trocas e a busca do interesse próprio. Os fisiocratas introduziram na política econômica o que mais tarde seria considerada a regra básica do liberalismo: laissez faire, laissez passer.

Para os economistas clássicos (Adam Smith) a economia é regida por mecanismos cujo funcionamento livre garante a obtenção dos melhores resultados. Existe uma “mão invisível” que orienta a economia garantindo o seu bom funcionamento.

Smith acreditava que a iniciativa privada deveria agir livremente, com pouca ou nenhuma intervenção governamental. A competição livre entre os diversos fornecedores levaria não só à queda do preço das mercadorias, mas também a constantes inovações tecnológicas, no afã de baratear o custo de produção e vencer os competidores.

As doutrinas de Adam Smith exerceram uma rápida e intensa influência na burguesia (comerciantes, industriais e financistas), pois queriam acabar com os direitos feudais e com o mercantilismo.

O liberalismo na sua forma pura inicial praticamente desapareceu como doutrina econômica. A experiência concreta sobretudo em relação às crises econômicas e ao subdesenvolvimento lançou as primeiras dúvidas sobre a eficácia dos mecanismos do mercado.

Após a Segunda Guerra Mundial acabou prevalecendo as ideias de John Maynard Keynes (1883-1946) que defendeu uma política econômica intervencionista, através da qual os governos usariam medidas fiscais e monetárias para mitigar os efeitos adversos dos ciclos econômicos. Suas ideias serviram de base para a escola de pensamento conhecida como economia keynesiana. As ideias econômicas de Keynes foram adotadas pelas principais potências econômicas do Ocidente. Durante as décadas de 1950  a 1960, o sucesso da economia keynesiana foi tão retumbante que quase todos os governos capitalistas adotaram suas recomendações.

John Keynes

A influência de Keynes na política econômica declinou na década de 1970, parcialmente como resultado de problemas que começaram a afligir as economias americana e inglesa e também devido às críticas de Milton Friedman e outros economistas neoliberais pessimistas em relação à capacidade do estado de regular o ciclo econômico com políticas fiscais.

Atualmente o liberalismo aceita o planejamento e a intervenção do estado. Tanto um como outro devem ser feitos respeitando-se, na medida do possível, os mecanismos do mercado e a iniciativa privada. Somente quando não se puder chegar ao resultado desejado por meio da manipulação dos preços ou quando a iniciativa privada se mostrar ineficiente ou desinteressada, devem-se usar mecanismos administrativos ou lançar mão das diversas formas de empresas estatais.

Em termos doutrinários contemporâneos, o liberal opta por uma economia baseada essencialmente em empresas ou no capital privado. Essa preferência exprime juízo de valor que constitui a essência do sistema liberal.

Em palestra proferia no Fórum da Liberdade e Democracia, em agosto de 2011, organizado pelo Instituto de Formação de Líderes, o economista Rodrigo Constantino, resume o que entende por liberalismo e, rejeitando os conceitos de esquerda e direita, defendo as liberdades individuais contra os diferentes tipos de coletivismo.

[Publicado pelo Editor]
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