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Personalidade do ano: Barack Obama

A revista Times elegeu Barack Obama a Personalidade do ano 2008 não pelo que ele tem feito, mas também pelo que pretende fazer.

 

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Presidencialismo de coalizão

Fábio Wanderley Reis, cientista político e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais, comenta em artigo para o jornal Valor Econômico a difícil relação do poder executivo e legislativo e o denominado “presidencialismo de coalizão”.

 Legislativo, Executivo e delegação

Fábio Wanderley Reis

Valor Econômico, 15/12/2008

 O Senado Federal promoveu há pouco um ciclo de debates sobre o Poder Legislativo no mundo contemporâneo, tomando diversos aspectos das relações entre os poderes que têm sido objeto de preocupação. Em sessão de que eu próprio participei, destacavam-se temas aparentemente diversos, que vão das implicações do chamado “presidencialismo de coalizão” a uma suposta crise geral de representatividade do Legislativo e ao fato de que ele deve conviver com o exercício de atribuições normativas também pelo Executivo e pelo Judiciário.

 Problemas ligados à atuação do Judiciário têm sido considerados aqui com alguma insistência. Quanto às relações Executivo-Legislativo, o tema do presidencialismo de coalizão sugere antes de tudo (supostamente em consequência da combinação de presidencialismo, federalismo, bicameralismo, multipartidarismo e representação proporcional) a fragmentação das forças políticas representadas no Congresso e, apesar de certas releituras e contestações, a debilidade do Executivo que derivaria da necessidade de organizar-se com base em grandes coalizões instáveis. Mas um tema também saliente quanto a essas relações tem sido o das medidas provisórias, e não é de todo casual que o simpósio no Senado tenha coincidido com a devolução algo dramática pelo presidente do Congresso da chamada MP das filantrópicas.

 Há aqui algumas ponderações gerais pertinentes. Uma, de cunho doutrinário relativo aos princípios constitucionalistas, salienta o desiderato de que os diferentes poderes sejam autônomos e se relacionem em termos de equilíbrio e igualdade. Outra, de natureza factual, aponta para fatores que há tempos levam à expansão do Executivo pelo mundo afora, em conexão com fenômenos (passíveis de disputas sobre como caberia avaliá-los normativamente em cada caso) como o estado de bem-estar, a “tecnoburocracia”, o neocorporativismo… Uma indagação importante é a de se essa expansão compromete necessariamente os princípios constitucionalistas quanto às relações dos poderes. E a mesma questão surge, naturalmente, se nos voltamos para as medidas provisórias. As condições de “urgência e relevância” contempladas na Constituição para o recurso a elas fazem delas instrumentos de governo efetivo em determinadas circunstâncias. Mas seu uso abundante e desatento aos critérios legitimadores ameaça redundar em desequilíbrio e em sujeitar o Legislativo a eventuais caprichos autoritários do Executivo.

 As análises de ciência política a respeito não têm sido de grande ajuda. Procurando ligar o recurso às medidas provisórias pelo presidente às coalizões do nosso presidencialismo (como em artigo de 2005 de Carlos Pereira e outros, “Under what Conditions do Presidents Resort to Decree Power?”), as observações feitas acabam enredadas em suposições problemáticas e provavelmente enganosas sobre qual poder, nas relações Executivo-Legislativo, é o “mandante” e qual é o “mandatário” ou “agente”, e portanto o subordinado. Assim, no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, o fato de que o governo teria sido capaz de compor uma coalizão governamental “ampla e bem recompensada” resulta em delegação legitimadora pelo Congresso, que “responde” delegando ao presidente autoridade para governar por MPs, enquanto em casos de menor capacidade circunstancial de compor coalizão análoga o presidente teria de recorrer “unilateralmente” (autoritariamente?) a elas. Ora, é claro que um Congresso que “responde” ao poder do presidente dificilmente poderia ser visto como o “mandante” real na relação, e a idéia de “delegação” nada acrescenta ao aspecto factual das manobras mais ou menos exitosas deste ou daquele titular da Presidência nas circunstâncias de precariedade político-partidária – maior ou menor – que encontrará. Com a ressalva, naturalmente, da “delegação” correspondente ao fato em si de que a lei contemple o instrumento da medida provisória, que provavelmente requer, ele mesmo, explicação numa sociologia realista.

 Isso sugere que a ênfase em “quem manda” é basicamente torta ou equivocada. Não obstante a óbvia importância constitucional da autonomia dos poderes e de seu equilíbrio, como condição de que não se tenha ditadura, ela não resulta em que eles devam brigar, como vemos com frequência em nosso conflagrado Estado-arena do momento. Preservadas, em particular, as condições de isenção e adjudicação competente por parte do Judiciário (oxalá as turbulências atuais se resolvam), o que cabe esperar das relações entre o Legislativo e o Executivo é antes que se articulem de modo apropriado, vale dizer, de modo a assegurar o governo a um tempo democrático e eficiente. E não há como deixar de repetir a respeito, à parte confusões novidadeiras, a velha observação de que o instrumento que nos tem faltado para isso são partidos políticos em que o enfrentamento do desafio de combinar a penetração eleitoral e a coesão real em torno de idéias (referidas, por certo, a interesses, tanto quanto possível adequadamente agregados, e às identidades correspondentes, talvez inevitavelmente definidas de maneira algo tosca) venha a propiciar a disciplina no comportamento parlamentar e ao governo como um todo maior organicidade e a busca consistente de políticas de maior alcance. O que também remete a uma sociologia atenta, em nosso caso, ao áspero e deficiente substrato social da política.

 [Publicado pelo Editor]

A crise mundial e a falta de liderança

sanguinettiJulio María Sanguinetti, ex-presidente do Uruguai, comenta para o jornal El País a crise econômica, destacando a falta de liderança confiável para solucionar a crise mundial.

 

[Publicado pelo Editor]

O crescimento do PIB brasileiro

O Brasil dos seis primeiros anos do governo Lula terá crescido, na média anual, o dobro do registrado durante os anos FHC. Os aspectos políticos da alta do PIB de 2008 foram comentados por Vinícius Torres Freire, colunista da Folha de São Paulo.

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[Publicado pelo Editor]

Mais lições da crise na Economia

Jorge Vianna Monteiro divulga sua Carta Estratégia Macroeconômica nº 407, de 08.12.2008. Segundo o economista da PUC-Rio, há aspectos implícitos na crise econômica que deixam mal as análises que de certo modo zeram a componente institucional na modelagem macroeconômica.