Oxigenando e moralizando o capitalismo financeiro

Johann Michel, professor de Ciências Políticas da Universidade de Poitiers, pesquisador pelo Instituto Marcel – Mauss, e Jean-Paul Fitoussi, editorialista associado do jornal Le Monde, analisam a crise econômica mundial e propõem uma moralização e revitalização do capitalismo financeiro.

 

Segundo Johann Michel é preciso uma “tenda de oxigênio” para reanimar o capitalismo numa alusão a expressão de Joseph Schumpeter, bem como questiona o governo francês de investir em bancos ao invés de investir no desenvolvimento durável, na energia, nas infra-estruturas materiais e imateriais, setores que sempre foram os prioritários. (Le capitalisme sous tente à oxygène. Le Monde, 29.10.2008)

 

Jean-Paul Fitoussi argumenta que os dirigentes das grandes empresas repugnam a idéia de regular os efeitos perversos do capitalismo financeiro com as regras de Direito, pelo fato de estas podem ser contornadas e desviadas. Depois de ter acreditado que o mercado livre poderia se auto-regular e produzir uma otimização econômica (em detrimento de justiça social) com menos regulamentação, atualmente os mesmos adeptos da boa administração pública apelam para uma nova forma de auto-regulação, mas desta vez de ordem moral.

 

Para Fitoussi, o recurso a “moral redentora” permite aos investidores capitalistas ser o seu próprio tribunal, escondendo o seu mundo do Direito e do Tribunal comum aplicado a todos os cidadãos. Um exemplo de “Direito Reservado” (Parisot) a uma nova categoria eleita da população: os investidores morais do capitalismo. Contudo, esquecem que todos os avanços sociais foram historicamente realizados através de lutas sindicais e intervenções estatais. O Estado como guardião noturno (L’Etat veilleur de nuit) deve continuar atendo para fiscalizar o laisser-faire e a auto-regulação moral. (La morale au chevet du capitalisme? Le Monde, 29.10.2008)

 

[Publicado pelo Editor com colaboração de Maria Raquel Lins]

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