Dossiê Hannah Arendt
Hannah Arendt, uma das mais importantes pensadoras do século XX, é tema do Dossiê da Revista Cult de outubro/2008 (edição nº 129). Nascida em 14 de outubro de 1906, em Linden, subúrbio de Hannover, na Alemanha, foi aluna de Martin Heidegger e Karl Jaspers na Universidade de Berlim. Com a ascensão dos nazistas ao poder em 1933, Arendt é presa e ao sair da prisão foge para Praga, Genebra e, finalmente, Paris. Em 1941 passa a residir nos Estados Unidos (Nova York). Em 1951 publica As Origens do Totalitarismo, seu primeiro livro, e adquire a cidadania norte-americana. Em 1955 é nomeada professora em Berkeley e em Princeton. Morre na noite de 4 de dezembro de 1975, vítima de um ataque cardíaco.
Hannah foi uma corajosa militante antinazista e ao desenvolver uma inovadora fenomenologia da liberdade, da ação política e do espaço público, procurou trazer à luz as determinações democráticas e republicanas essenciais da política. A Condição Humana, considerada a obra mais importante da autora e que completa 50 anos em 2008, não deixa dúvidas quanto à pertinência e ao vigor de suas reflexões no mundo contemporâneo.
O Dossiê procura esclarecer os tópicos essenciais de seu pensamento, contando com a colaboração de importantes especialistas nacionais. André Duarte descreve o percurso intelectual da autora, além dos temas principais de seus livros; Newton Bignotto explica a original e polêmica noção de totalitarismo; Odílio Aguiar, a idéia de banalidade do mal e de mal radical; Eduardo Jardim comenta a recepção da obra de Arendt no Brasil; e, por fim, Adriano Correia escreve sobre a falência da política na modernidade, mas também sobre a viabilidade de uma efetiva emancipação do homem, a fim de romper os grilhões de sua animalidade e de sua condição puramente laboral.
Bibliografia das obras de Arendt publicadas no Brasil:
Origens do totalitarismo. Trad. Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
A condição humana. Trad. Roberto Raposo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997.
Crises da República. Trad. José Volkmann. São Paulo: Perspectiva, 1999.
A dignidade da política. Org. Antônio Abranches. Trad. Helena Martins e outros. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1993.
Homens em tempos sombrios. Trad. Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
O que é política? Org. Ursula Ludz. Trad. Reinaldo Guarany. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
Da revolução. Trad. Fernando Didimo Vieira. Brasília: Ática e Edunb, 1988.
Lições sobre a filosofia política de Kant. Trad. André Duarte. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1993.
Entre o passado e o futuro. Trad. Mauro W. Barbosa de Almeida. São Paulo: Perspectiva, 1997.
A promessa da política. Trad. Pedro Jorgensen Jr. Rio de Janeiro: Difel, 2008.
Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. Trad. José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
Sobre a violência. Trad. André Duarte. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2000.
A vida do espírito: o pensar, o querer, o julgar. Trad. Antônio Abranches e outros. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2000.
Responsabilidade e julgamento. Trad. Rosaura Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
Arendt e Heidegger, correspondências – 1925/1975. Trad. Marco Antonio Casa Nova. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 2001.
Arendt e McCarthy, Entre amigas. A correspondência de Hannah Arendt e Mary McCarthy – 1949/1975. Trad. Sieni Campos. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995.
[Publicado pelo Editor]
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