A crise de 1929 em 2009

O sociólogo Ignacio Ramonet comenta no jornal Le Monde Diplomatique Brasil  as três crises de grande amplitude – financeira, energética e alimentar – que estão em conjunto, confluindo-se e combinando-se, agravando, de modo exponencial, a deterioração da economia real. (As três crises. Edição n. 12, julho/2008)

 

Segundo Ramonet, a crise financeira iniciada nos Estados Unidos em agosto de 2007 e que se propagou por todo o mundo continua se aprofundando. Até agora as entidades bancárias admitem prejuízos de quase 250 bilhões de euros, e o Fundo Monetário Internacional estima que, para escapar da catástrofe, o sistema necessitará de cerca de 610 bilhões de euros (o equivalente a duas vezes o orçamento da França!). Da esfera financeira, o problema passou para o conjunto da atividade econômica, levando ao desaquecimento das economias dos países desenvolvidos. A Europa (e, em particular, a Espanha) encontra-se em franca desaceleração e os Estados Unidos estão à beira da recessão. A crise energética surge do aumento irracional do barril do petróleo – atualmente em U$ 140, sendo que há dez anos custava menos de U$ 10 – e decorre não apenas da demanda despropositada mas, especialmente, da ação de especuladores que apostam no aumento contínuo de um combustível em vias de extinção. A crise alimentar agravou-se repentinamente. Em cerca de 40 países, a carência de alimentos provocou levantes e revoltas populares.

 

Em sua opinião, a gravidade do momento, de magnitude inédita, cujos efeitos sociais, que mal começaram a se fazer sentir, explodirão nos próximos meses com toda a brutalidade, podendo 2009 se parecer muito bem com o nefasto ano de 1929.

 

E conclui:

 

“Este é o saldo deplorável de 25 anos de neoliberalismo: três venenosas crises entrelaçadas. Já está na hora de os cidadãos gritarem: Basta!”

2 comentários até agora

  1. João jardim/Moçambique on

    Segundo Ramonet, a crise financeira iniciada nos Estados Unidos em agosto de 2007 e que se propagou por todo o mundo continua se aprofundando. Até agora as entidades bancárias admitem prejuízos de quase 250 bilhões de euros, e o Fundo Monetário Internacional estima que, para escapar da catástrofe, o sistema necessitará de cerca de 610 bilhões de euros (o equivalente a duas vezes o orçamento da França!). Da esfera financeira, o problema passou para o conjunto da atividade econômica, levando ao desaquecimento das economias dos países desenvolvidos. A Europa (e, em particular, a Espanha) encontra-se em franca desaceleração e os Estados Unidos estão à beira da recessão. A crise energética surge do aumento irracional do barril do petróleo – atualmente em U$ 140, sendo que há dez anos custava menos de U$ 10 – e decorre não apenas da demanda despropositada mas, especialmente, da ação de especuladores que apostam no aumento contínuo de um combustível em vias de extinção. A crise alimentar agravou-se repentinamente. Em cerca de 40 países, a carência de alimentos provocou levantes e revoltas populares

  2. Danniel on

    opa gostei muito falow


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