Democracia na Alemanha e no mundo

Pesquisa realizada pela Fundação Friedrich Ebert, associada ao Partido Social Democrata, por encomenda do jornal Tagesspiegel am Sonntag, revela que cada vez mais alemães perdem a confiança na democracia e cogitam não votar nas próximas eleições parlamentares. (Alemães acreditam cada vez menos na democracia. Deutsche-Welle, 30.06.2008)

 

Segundo o estudo, um a cada três não acredita mais que a democracia seja capaz de resolver os problemas do país; nos estados da antiga Alemanha Oriental, a porcentagem dos descrentes chega a 53%.  Quatro de dez entrevistados duvidam de que a democracia ainda funcione. A conclusão que a metade deles tira disso é que não vale a pena votar: um a cada dois não pretende ir às urnas em 2009 para eleger o novo Parlamento alemão.

 

A descrença se manifesta sobretudo entre os desempregados e beneficiários da ajuda social. O estudo realizado com 2,5 mil cidadãos alemães revelou, no entanto, que a crença no sistema político diminuiu dramaticamente de uma maneira geral.

 

Em 17.02.2008 já havia sido divulgado o Índice de Transformação da Fundação Bertelsmann de 2008, segundo o qual 4 bilhões de habitantes do planeta vivem em democracias. Autocracias e ditaduras englobam 2,5 bilhões de pessoas. (Estudo vê disparidade entre progresso econômico e democracia. Deutsche-Welle, 19.02.2008)

 

O índice pesquisou 125 países com mais de 2 milhões de habitantes que ainda não atingiram o completo status de democracias baseadas em economia de mercado. O Índice de Transformação (BTI) é divido em dois: um que aponta o desenvolvimento democrático destes países, outro que mede sua transformação gerencial.

 

Dos 49 países com maior crescimento econômico, nos últimos dois anos, somente 34 são considerados democracias. Pelo índice, Brasil e Argentina são consideradas democracias com defeitos; Colômbia e Venezuela, democracias com muitos defeitos; Chile e Uruguai, democracias.

 

O BTI de 2008 mostra que 14 países se consolidaram como democracias avançadas. Entre eles, três latino-americanos: Chile, Uruguai e Costa Rica. Por outro lado, o índice aponta Venezuela e Bolívia entre os países que mais desceram no ranking de transformação gerencial.

 

Segundo o estudo, uma série de países do mundo se desenvolve na direção de ditaduras e autocracias. Embora 75 dos 125 países em transformação pesquisados sejam considerados, oficialmente, democracias. Destes, 52 são democracias defeituosas ou muito defeituosas. Entre estas nações, encontram-se Rússia e Venezuela. A China, por sua vez, é classificada como autocrática.

2 comentários até agora

  1. Ignifero Celeste on

    Por que o Brasil foi considerado um Estado com democracia defeituosa? Qual foi o critério usado pela pesquisa? Será que é o fato do PT, um partido de esquerda estar no comando do executivo federal?

  2. Farlei Martins Riccio on

    Conforme informado no post, o índice apura duas situações: desenvolvimento democrático e transformação gerencial. Penso que o resultado do Brasil não tem relação direta com o governo do PT ou de qualquer outro partido e sim com o pouco desenvolvimento gerencial da Administração Pública brasileira, ainda que instrumentos de participação democrática, embora previstas na Constituição e nas leis do país, não tenham sido efetivamente implementadas.


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