A reforma da reforma previdenciária no Chile
A presidente Michelle Bachelet conseguiu aprovar no Congresso, em tempo recorde e por unanimidade, uma nova legislação sobre o sistema previdenciário, depois de amplo acordo político entre seu partido, o Concertación, e outras legendas. (A reforma da reforma. Valor Econômico. Caderno Eu&Fim de semana, 09.05.2008)
O motivo é que a privatização do sistema ocorrida com a reforma de 1981 deixou de fora as mulheres, os jovens e os mais pobres – justamente aqueles que a reforma alimentou com promessas de seguridade. O mercado os ignorou e o Estado foi chamado de volta. Mas apenas para pagar a conta da proteção social, sem que isso signifique recuo no caminho da privatização. Essa reforma da reforma deve entrar em vigor em julho.
Em 1981, ainda sob a égide da ditadura do general Augusto Pinochet, o Chile promoveu a mais radical reforma da previdência do mundo, praticamente acabando com o sistema público. Pretendia-se aumentar a poupança interna, ampliar o mercado de capitais e, sobretudo, resolver o problema do déficit público. A partir da reforma, a previdência pública fechou para novos contribuintes e extinguiu-se o sistema de repartição (no qual os trabalhadores ativos recolhiam sua contribuição e o fundo assim constituído era repartido entre os inativos). As regras de elegibilidade (idade mínima, sistema de capitalização individual, entre outras) foram igualadas às do setor privado, de forma que incentivassem a migração dos trabalhadores mais jovens para as AFPs (gestoras do sistema depois da privatização), já que o desconto seria de 17% do salário, bem menos que os 27% do regime estatal. A previdência pública, portanto, estava jurada de morte após um período de transição, no qual o déficit, como é típico neste modelo, seria bancado pelo Estado – que a isso resumia seu papel na reforma.
Passados 27 anos, o número de trabalhadores com contribuição irregular ampliou-se, os desempregados jamais voltaram a contribuir proporcionalmente à idade ou pelo tempo parado e os autônomos nunca foram obrigados a integrar uma AFP (apenas 10% deles contribuíam, o que significava 1,4 milhão sem cobertura). O crescimento da economia informal fez surgir um contingente de desprotegidos: calcula-se que quase 50% da mão-de-obra ativa estavam descobertos. As donas-de-casa também foram excluídas. De 18 AFPs, o mercado concentrou-se em apenas 6 (mais uma depois da nova reforma). Aos poucos, os custos das AFPs subiram e foram repassados aos contribuintes. As maiores despesas dessas empresas são os gastos na área de marketing, necessários diante da acirrada concorrência para conquistar novos cotistas. O patrimônio das AFPs alcança hoje 40% do PIB. Compare-se: as exportações de cobre (principal mercadoria da balança comercial) respondem por 23%.
A grande novidade da nova reforma é que todos os chilenos que se encontrem entre os 40% mais pobres da população (US$ 170 dólares de renda per capita por domicílio) passarão a receber, a partir de 1 de julho, uma “pensão básica solidária” (PBS) de cerca de US$ 150, mesmo sem jamais ter contribuído para a previdência. Pelo regime anterior, eram exigidos, no mínimo, 20 anos de contribuição. A reforma criou ainda o “aporte previdenciário solidário” (APS), um bônus para aqueles na faixa dos mais pobres e com benefícios raquíticos (inferiores a US$ 500).
O modelo da reforma chilena interessa diretamente ao Brasil, já que se encontra em tramitação no Congresso Nacional projeto que pretende acabar com a principal inovação da reforma previdenciária de 1998 (Emenda Constitucional nº 20) e aplicado desde 1999: o fator previdenciário (PLS 201/2006, Senador Paulo Paim). Por esse mecanismo, o valor da aposentadoria é calculado levando em conta a idade, expectativa de vida após a aposentadoria e o tempo de contribuição; e, depois, é aplicado ao resultado da média dos 80% maiores salários de contribuição. Desde a entrada em vigor da Lei nº 9.876/99, o fator previdenciário já rendeu uma economia aos cofres públicos da Previdência de R$ 10,1 bilhões. O déficit da Previdência para o ano de 2008 deve ser de R$ 43 bilhões. (O Globo, 20.04.2008)
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Farlei: Te cuento que en Argentina, el sistema de capitalización individual mediante aportes a AFJP (Administradora de fondos de jubilaciones y pensiones) se estableció por ley del Congreso en 1992. Desde 1995, Ana Inés hizo aportes previsionales sobre sus remuneraciones docentes en la Universidad, a “Orígenes AFJP”. En mayo del año 2007, tenía en su cuenta de capitalización individual unos $18,000, un capital que ya se había depreciado en el 2002 a raíz de la pesificación de deudas dispuesta en Argentina por razones de emergencia. Al recibir el resumen de cuenta posterior a mayo de 2007, los $18.000 habían desaparecido sin justificación legal alguna, porque la reforma de la ley operada en ese año comprendía exclusivamente el pase al régimen público de un sector de personas limitado por la edad en el que Ana no encajaba. Como a ella, luego nos enteramos de que la Administración Nacional de la Seguridad Social había dispuesto el traspaso al régimen de reparto de todos los docentes universitarios – con sus respectivos fondos ahorrados durante más de diez años de aportes, naturalmente -, sin sustento en norma alguna: solo porque las arcas fiscales necesitaban dinero. Hemos deducido amparo, demanda ordinaria, y hasta denuncia penal, sin resultado alguno hasta la fecha (la justicia federal de La Plata es tan, tan lenta, que no existe). El diario La Nación en su editorial del 16 de abril de 2008, dice que si el fisco no hubiera absorbido cuentas particulares de capitalización del sistema privado de jubilaciones, el ejercicio 2007 hubiera arrojado un déficit financiero de 1.900 millones de pesos. Esto pone en evidencia que la contrareforma previsional sancionada en marzo de 2007 operó como un salvavidas fiscal y evitó que la administración nacional expusiera un resultado deficitario por primera vez desde 2002. Sin la ayuda de esa transferencia del orden de los 7.5000 millones de pesos, el resultado primario antes del pago de intereses hubiera sido de 14.900 millones, un 1,96% del producto bruto, insuficiente para afrontar los 17.178 millones de intereses de la deuda pública. La observación de estos resultados y tendencias aporta una explicación a los denodados esfuerzos del gobierno por incrementar las retenciones a las exportaciones agrícolas. El recurso de quedarse con mas fondos particulares del sistema de capitalización ya no parece accesible y requeriría una segunda contrareforma que acabaría con este sistema. También el diario “Crítica de la Argentina” informó al respecto que “el gobierno echó mano nuevamente a la caja de los jubilados para seguir al día con los vencimientos de la deuda pública” (23 de abril de 2008). Lo más grave – para el caso individual de Ana y de los restantes docentes universitarios que no estaban alcanzados en esa contrareforma de 2007 – es que, no obstante las comunicaciones fehacientes cursadas a Orígenes AFJP advirtiéndole que en virtud del desvío inconsulto de fondos confiados por ley a su administración Ana se consideraba desvinculada jurídicamente de esa administradora a partir de mayo de 2007, Orígenes continó y continúa recibiendo aportes en la cuenta de capitalización individual que ahora tiene unos magros $400. Ni Orígenes, ni la Universidad que continúa reteniendo los aportes y derivándolos a la cuenta de Orígenes, ni la Anses, han podido explicarnos a la fecha dónde están los $18.000 ni si Ana fue pasada o no – ilegalmente – al régimen de reparto. Todo fue una maniobra dolosa para apropiarse de los fondos de las cuentas de capitalización individual, pergeñada desde el poder central y consentida por las Administradoras que han sacado, sin duda, alguna ventaja. Argentina es hoy un país en el que el gobierno es el primero en actuar fuera del marco de la ley, ostensiblemente y sin responsabilidad alguna. Quería que tengas una idea de lo que sucede en el tema que informas. Cariños, Inés.
Cara Inés,
sou uma estudante de temas relacionados à previdência social e também professora, como Ana. Terrível o relato que você nos apresenta e então, quase um ano depois, gostaria de saber se conseguiram resolver a situação e mais, como está a previdência na ARgentina, depois das últimas reformas? O Brasil continua “patinando”, buscando um caminho, mas ainda são muitas as decisões contraditórias. Um abraço,
Juliana